Mostrando postagens com marcador leitura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador leitura. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID PARA A CONSTRUÇÃO DE ALUNOS LEITORES

Keila Gabryelle Leal Aragão (1), John Alisson Costa dos Santos (1), Adalberto Chaves (1), Maria de Fátima Benício de Melo(3), Maria Cristina de Assis(3)

Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes/Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas/PIBID

O desenvolvimento de práticas de leituras escolares é crucial para a construção da competência leitora dos alunos. Segundo Orlandi (1988), a leitura pode ser entendida como “atribuição de sentidos”, isto é, uma relação em que o leitor não interage diretamente com o texto, mas com outros sujeitos ali existentes. Assim, nessa relação de confronto, o leitor se constrói crítico na medida em que questiona o escrito, partindo de sua própria historicidade. O presente trabalho apresentará um recorte dos conteúdos desenvolvidos pelo Subprojeto Língua Portuguesa, desenvolvido na Escola Estadual Liliosa Paiva Leite, em João Pessoa, PB. Vinculado ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, o subprojeto pretende contribuir para a construção da competência leitora dos alunos da referida escola, devido ao baixo desempenho demonstrado na avaliação feita pelo MEC do Índice de Desenvolvimento da Educação básica - IDEB. Nossa pesquisa tomou como base a observação de dados coletados em sala de aula, a partir da aplicação de seqüências didáticas de leitura e escrita, que são ferramentas primordiais para o desenvolvimento desses alunos leitores. Para tanto, lançamos mão dos pressupostos teóricos de Kleiman (1989,1993), Orlandi (1988), Silveira (1998), as Orientações Curriculares do Ensino Médio (2004), os Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa (2002) e o PCN+ (2002). Os resultados apontam que as estratégias de inferências e de verificação do texto, que envolvem uma leitura fluente, não foram devidamente alcançadas. Antes da leitura, a previsão sobre o texto não se fez presente de forma satisfatória. Durante a leitura, constatamos uma compatibilidade com o conhecimento prévio dos alunos e, após a leitura, o resumo não foi satisfatório, pois muitos deles desconheciam a estrutura do gênero, dificultando sua realização. Entretanto, na análise dos textos, observamos uma boa interlocução entre o autor e o leitor. Finalmente verificamos que, na escola sob análise, a compreensão leitora fica aquém do que se deseja para uma sociedade comunicativamente competente. Entretanto, com um trabalho contínuo e duradouro, poderemos construir um leitor crítico que pensa sobre o que lê. Esse é um dos desafios do subprojeto de língua portuguesa.

Palavras-chave: competência leitora; práticas de leituras; leitor crítico; PIBID

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Escrever bem, escrever mal

Uma das diversões preferidas hoje em dia é mangar dos jovens que escrevem mal. A gente tem uma propensão masoquista a procurar erros, coisas malfeitas. Um vestibulando escreve: "O cerumano é composto de cabeça, tronco e membros..." e rolamos de rir. Ora, a melhor maneira de aprender a escrever certo é ler muito quem escreve certo. Lendo autores que escrevem bem, o leitor irá absorvendo esse modo de escrever de modo semi-consciente, pela superposição de centenas de exemplos concretos, o que é muito melhor do que a repetição e o decoreba de alguma regra abstrata.
Eu próprio aprendi português assim. Os frequentes erros que cometo (porque esta minha coluna, a meu pedido, não é submetida a revisão) se devem ao fato de que poucas vezes me dei o trabalho de folhear uma gramática, que seria o segundo passo, imprescindível. Mas o primeiro passo eu me orgulho de ter dado: ler, ler muito, ler muitos autores brasileiros e portugueses que escrevem bem. Para assimilar intuitivamente as maneiras corretas de se usar uma pontuação, de se conjugar um verbo, de se organizar um discurso em orações diretas, indiretas, subordinadas, o escambau. Mesmo sem saber como aquilo se chama, ficamos sabendo que aquilo existe e se faz daquele jeito. Li Coelho Neto, Eça de Queirós, Fernando Sabino, Humberto de Campos, Érico Veríssimo, Monteiro Lobato e tantos outros sem pensar em gramática. Li porque gostava das histórias deles.
Muitos jovens hoje não lêem esses autores (ou outros que se lhes equivalham) porque acham as histórias bestas, as situações desinteressantes e as ambientações banais. Gostam de aventuras interplanetárias, tramas cyberpunk, hiper-tecnologias transgaláticas, destruição e recriação de Universos... Nada contra, porque eu também gosto. O problema no caso é de carência estilística, porque esses livros ou são lidos em inglês (que até nos ensina alguns aspectos estilísticos, mas deixa de nos ensinar os que são peculiares ao português), ou então em traduções que, na grande maioria dos casos, é apenas sofrível.
Vai daí que muitos jovens autores brasileiros na faixa do 30 ou 35 anos nunca leram um grande autor brasileiro ou português, ou, se os leram, foi em quantidade insuficiente para aquela lenta acreção de virtudes estilísticas que se dá pela exposição a formas diferentes de escrever certo. É fácil dar um manuscrito a um primo que é professor e pedir-lhe "que corrija o português" antes de mandar o calhamaço à editora. O primo corrige os solecismos, os erros de concordância (meu ponto fraco, aliás), os erros de ortografia, etc.; mas não pode corrigir as fraquezas estilísticas, os lugares-comuns, os adjetivos clichês, e principalmente as expressões desajeitadas e surreais que não passam de traduções ao-pé-da-letra de expressões inglesas que o autor absorveu em doses gigantescas e que se incrustaram no seu inconsciente verbal.

Braulio Tavares

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Olá, pessoal. Nesta semana Josilane e eu promovemos uma atividade de leitura e argumentação que consideramos proveitosa. Levamos as turmas para a sala de informática do José Lins e, com data show, analisamos dois textos divergentes sobre um tema polêmico: o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo que proíbe os estrangeirismos. Um, do próprio deputado, e o outro, do professor de português Sérgio Nogueira. Aproveitamos para, a partir de exemplos do texto, trabalhar conteúdos da gramática, como a queda do trema em "linguística" e concordância nominal em "Nosso idioma está sendo desfigurado por um excesso de estrangeirismos incorporados ao vocabulário de forma estranha à grafia e à pronúncia clássicas do português".

Seguem os textos:

O idioma está sendo deturpado

Aldo Rebelo

A desnacionalização linguística pode ser vista a olho nu nas ruas de nossas cidades. A minha intenção ao propor esse projeto foi evitar a descaracterização da língua portuguesa. Nosso idioma está sendo desfigurado por um excesso de estrangeirismos incorporados ao vocabulário de forma estranha à grafia e à pronúncia clássicas do português.
Quem sai às ruas, principalmente de uma grande cidade como a de São Paulo ou Rio de Janeiro, corre o risco de precisar de dicionário bilíngue para entender o que dizem as faixas, os cartazes, os rótulos de produtos. Os jornais e a publicidade estão cheios de palavras e expressões incompreensíveis para o povo brasileiro. O problema é ostensivo nos shopping centers, a começar do nome desses centros comerciais.
Por que usar Sale para liquidação? Delivery para entrega em domicílio? Self-service para auto-serviço? Estão em uso corrente expressões desnecessárias para a comunicação do dia-a-dia. Desnecessárias porque têm correlatos antigos em português, não designam neologismos que atualizariam o idioma.
Temos uma língua bonita, opulenta, com muitos recursos léxicos. Quem usa teen para dizer adolescente, logo, logo vai falar soccer no lugar de futebol.
O povo brasileiro não tem obrigação de conhecer palavras ou idiomas estrangeiros. O poliglotismo é uma virtude que todos almejamos, mas nunca em prejuízo da língua materna em que fomos alfabetizados e pela qual expressamos melhor os nossos sentimentos.
(Jornal do Brasil, Caderno Política, 1º de abril, 2001, p.4)


Nada de radicalismos

Sérgio Nogueira Duarte

Por muito tempo, em nossas escolas, os professores ensinavam como "erro" o uso de galicismos. Era proibido falar ou escrever abajur, chofer, detalhe... Éramos obrigados a substituir por quebra-luz, motorista e pormenor. E o tempo provou que estávamos enganados. Hoje todos nós usamos – sem culpa ou pecado – abajur, chofer e detalhe. temos até um belíssimo réveillon, no sua forma original.
Agora os inimigos são os anglicismos. Palavras e expressões inglesas infestam e poluem a nossa fala. Temos um festival de beach, play off, delivery, shopping, brainstorming, software, marketing e tantos outros.
A presença de termos estrangeiros no uso diário de uma língua não é crime, nem sinal de fraqueza. Ao contrário, é sinal de vitalidade. Só as línguas vivas têm essa capacidade de enriquecimento. A forte presença do inglês na língua portuguesa é reflexo da globalização, do imperialismo econômico, do desenvolvimento tecnológico americano etc. Poderíamos citar muitas outras causas, mas há uma em espacial que merece destaque: a paixão do brasileiro em geral pelas "coisas estrangeiras". Nós adoramos a grife, o carro importado, a palavra estrangeira. Tudo dá status.
É, portanto, um problema muito mais cultural do que linguístico.
Valorizar a língua portuguesa, sim; fechar as portas, não.
[...]
É contra os exageros, contra os modismos, que devemos lutar. A nossa crítica deve concentrar-se no ridículo, no "desnecessário". Para que sale, se sempre vendemos? Por que startar, se podemos começar, iniciar, principiar? Se podemos entregar em domicílio, para que serve o ridículo delivery?
O modismo a ser criticado é esta lista imensa de palavras e expressões inglesas para as quais a nossa língua já está bem provida: beach soccer (futebol de areia), paper (documento), printar (imprimir)...
O aportuguesamento de termos estrangeiros também é uma boa saída. É só lembrar o futebol, o blecaute, o estresse, o balé, o filé, o chope, o espaguete...
E o que fazer com o dumping? Não conseguimos aportuguesar e não há em português uma palavra para traduzi-la: "é quando uma empresa faz preços abaixo do mercado para quebrar a concorrência". É demais. Nestas horas, o termo estrangeiro é bem-vindo, pois enriquece a língua. E há outros bons exemplos: ranking, show, marketing, impeachment. São palavras devidamente incorporadas à nossa língua cotidiana.
Portanto, nada de radicalismos. É importante valorizar a língua portuguesa, mas nada de purismo e xenofobia.

(Veredas. Revista do Centro Cultural do Banco do Brasil, n. 66, junho, 2001, p. 42)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Excelente blog sobre política e afins.

Vocês podem recomendá-lo aos alunos pra eles se atualizarem sobre os assuntos em voga no noticiário, com reflexão e análise, pra não só ficar só nas informações sucintas dos telejornais e, assim, terem um maior arsenal para se preparar pras redações do ENEM e PSS.

Agora, por exemplo, o autor postou sobre a negociação militar envolvendo brasil e França.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Diagnóstico de leitura

Dando o pontapé inicial no blog, vou postar sobre a atividade que fizemos (Josilane e eu) no José Lins com os alunos da noite, pra verificar o nível de leitura dos mesmos.

Levamos alunos das três séries do ensino médio à biblioteca para conversar sobre leitura e perceber, através da leitura em voz alta, o nível de compreensão que eles têm. Constatações: a grande maioria nunca tinha estado em uma biblioteca; uma grande parte jamais leu um livro; muitos não quiserem ler em voz alta, no entanto, aqueles que leram apresentaram um nível de compreensão de razoável a bom; apesar de ser minoria, havia alunos interessados em leitura, não só de livros como de revistas, e alguns fizeram associações do texto que leram com fatos da realidade e do cotidiano; um aluno, perguntado se gostava da disciplina Português, confessou que gostava de ler, mas que as regras gramaticais que era obrigado a "decorar" o desanimavam.